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Será que o músculo psoas age como flexor de quadril no movimento de elevação da perna esticada?


O psoas é um músculo com relevância considerável nos esportes e nas ciências clinicas. Diversos estudos apontam para o seu papel fundamental na fisiologia tanto da pelve quanto da coluna lombar. No entanto, função do psoas enquanto ator na movimentação do quadril não esta suficientemente clara. Algumas questões fundamentais ainda carecem de esclarecimentos: Será que o psoas durante tem a mesma função do ilíaco na flexão de quadril? Será que sua ação sobre o quadril é mais importante que sobre a coluna?

Com a finalidade de responder a estas questões, um grupo de pesquisadores (com o Prof. Paul Hodges entre eles) resolveu testar um clássico da avaliação em ortopedia, o movimento de elevação da perna retificada, enquanto era monitorada a ativação individual dos músculos do quadril via eletromiografia e a cinemática era acompanhada via marcadores ativos e câmeras. Como a literatura descreve a função do psoas na inclinação frontal da pelve quando em contração bilateral e, morfologicamente, liga a coluna lombar ao fêmur, os pesquisadores resolveram monitorá-lo bilateral e simultaneamente durante a execução do movimento. Através desta metodologia foi possível eliminar uma importante limitação dos estudos anteriores que supostamente confirmaram o seu papel de flexor do quadril ignorando a ativação contralateral.

O resultado fundamental da pesquisa foi a ativação bilateral do psoas em situação de elevação retificada de apenas uma das pernas. Especificamente, não foram encontradas diferenças no perfil de ativação dos músculos bilateralmente, ou seja, ambos os psoas contraíram com a mesma intensidade e duração, mesmo com a elevação de apenas uma das pernas enquanto a outra é mantida imóvel. Pode parecer que o padrão de ativação do psoas é consistente com a idéia do seu papel de flexor do quadril. Contudo, como não foram encontradas diferenças no padrão de ativação entre os lados, a interpretação mais correta é que ele tem papel de estabilizador, ou seja, sua ativação contralateral garante a estabilização da coluna lombar com relação à pelve, provavelmente no plano frontal.


Ft. Fabiana Alves Cabral e Ft. Maciel Murari






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