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Treinamento do CORE: Revisão de evidências para melhorar o gesto e prevenir lesões.


Stuart McGill, Spine biomechanics departamento de Cinesiologia da universidade de waterloo, Ontario-Canada

Este artigo de revisão provoca uma profunda imersão em nossos conhecimentos sobre anatomia, biomecânica e cinesiologia e traz questões sobre algumas práticas utilizadas por nós profissionais que fazemos uso do movimento e de exercícios como tratamento ou treinamento.

Será que o uso da bola é realmente adequado para o treino do Core? Os exercícios com flexão de tronco são ou não prejudiciais? Ler esse artigo e as colocações do Prof. McGill esclarecem muitas questões e fazem surgir muitas outras.

Os elementos que compõem o CORE são a coluna lombar, os músculos da parede abdominal, os extensores de tronco, o quadrado lombar. E também, os músculos multiarticulados, psoas e o grande dorsal, uma vez que fazem conexões com pelve, pernas, ombros e braços.

McGill criticou os exercícios de flexão de tronco porque eles criam perturbações e instabilidade ao invés de auxiliarem na estabilidade. Segundo ele, perturbar as curvas fisiológicas da coluna vertebral torna a musculatura reativa prejudicando o controle motor. A consequência disto, é que estes exercícios serviriam para perpetuar dor e disfunção em pacientes com dores crônicas. Seguindo esta lógica, o uso da bola suíça para exercícios de flexão de tronco é um “tiro no pé” em indivíduos com dores, lesões ou instabilidades. E ainda, poderiam levar a terapia ou o treinamento ao insucesso. Para aplicar o treinamento adequado é necessário avaliar quais são as reais necessidades do indivíduo, uma vez que focar em performance ou ganho imediato pode levar todo o trabalho ao fracasso!

Uma questão polêmica é a famosa “Barriga tanquinho”, ela seria sinônimo de um bom core? Este assunto também foi abordado no artigo, onde o autor defendeu que para um treinamento eficiente dos componentes do “CORE”, seria necessário o uso de atividades dinâmicas baseadas nos parâmetros fisiológicos, e que as forças e os movimentos transcendam entre os membros e o tronco em movimentos funcionais. Portanto, o treinamento do “CORE” vai muito além do fortalecimento muscular com exercícios segmentados.

Baseado nesse artigo é possível pensar no “CORE” de forma mais ampla, não apenas como estabilizador de tronco, uma vez que sua função vai muito além disso. Ele é um potencializador de força, controle motor e resistência no gesto. Suas conexões (tanto nos membros superiores quanto nos inferiores) permitem maior sinergia entre os músculos, as articulações e o tecido fascial, para equilibrar e estabilizar todo o corpo.

A complexidade disto, está em conseguir conectar estas informações ao conhecimento das áreas básicas (anatomia, fisiologia e biomecânica). Uma vez atingido este objetivo, aplicar treinos partindo desse raciocínio passa a ser muito fácil, principalmente por que a execução é através de gestos simples.

PS: Para quem tem interesse em aprofundar os conceitos fisiológicos necessários para aplicar treinos mais específicos, fica uma sugestão: conheça o Curso de Biomecanica e Cinesiologia funcional. Este curso apresenta de forma didática, os conceitos fisiológicos para aplicação de exercícios aos diferentes perfis biomecânicos e morfológicos, que vemos em nossos consultórios .


Ft. Fabiana Cabral e Ft. Maciel Murari






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