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Fascia - Conexões dolorosas: Densificação versus Fibrose


Atualmente na literatura, a fascia profunda tem sido considerada um tecido que pode ser origem de dor.

Os termos fibrose e densificação são frequentemente usados para indicar alterações na fascia, embora um não substitua o outro. A fibrose é um processo similar ao da cicatrização, há um excessivo depósito de tecido conectivo fibroso devido ao processo de reparação, e pode obliterar a arquitetura e a função do tecido envolvido. Por outro lado, a densificação indica um aumento na densidade da fascia com capacidade de modificar as propriedades mecânicas sem alterar a estrutura de um modo geral.

O tecido fascial é composto por tecido conjuntivo frouxo e tecido conjuntivo denso. Eles apresentam constituições distintas e importantes para o entendimento do funcionamento das conexões dolorosas, pois tanto a densificação quanto a fibrose podem causar dor. Mas é preciso compreender melhor os componentes envolvidos nestes tecidos e suas implicações.

O tecido conjuntivo frouxo tem essa definição por ser extremamente hidratado e móvel, possui grande quantidade de acido hialurônico, o que permite que os tecidos ligados a ele, mesmo sendo mais densos, possam deslizar e transmitir a tensão gerada em uma região da fascia para outra.

Já o tecido conjuntivo denso é composto de menos substancias deslizantes mas apresenta o colágeno em abundancia que dá a capacidade de armazenar e liberar energia. Este tecido está numa localização mais profunda envolvendo o musculo e por isso as contrações gerada pelas fibras musculares são armazenadas e liberadas com capacidade de remodelar o tecido de acordo com a direção do estímulo.

Entretanto, dos tecidos geram ciclos de energia armazenada e transmitida durante os movimentos. Na densificação, processo fisiológico que acontece no tecido conjuntivo frouxo, se houver excessiva demanda de estímulos aumentando a viscosidade do acido hialuronico, pode ser produzida rigidez; e também diminuição da amplitude de movimento e dor, interferindo na capacidade de transmitir e armazenar tensões dentro do tecido. Essa alteração pode ser reversível, por que podemos modificar as propriedades da matrix extra-celular através da mudança da temperatura e aumento de tensões por estímulos mecânicos.

Já a fibrose é difícil de reparar, pois há um aumento do depósito de colágeno no tecido conjuntivo denso, de forma irregular, modificando a dinâmica das tensões armazenadas e liberadas, provocando dor e limitações. A normalização deste tecido se dará através de estímulos produzidos por exercícios que destruam o colágeno patológico e estimulem a produção de novas fibras de colágeno, mais organizadas e seguindo a orientação das fibras do tecido.

O entendimento destas duas condições nos ajuda a entender o funcionamento do tecido fascial no processo de reparação e tratamento de dor. A partir desta revisão, é possivel entender as diferenças tanto dos mecanismos existentes, quanto dos tratamentos da fibrose do tecido conjuntivo denso e da densificação do tecido conjuntivo frouxo.




Ft. Fabiana Cabral e Ft. Maciel Murari





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