CEDM

Matérias




Síndrome de Dor Patelo-femoral: Revisão de Literatura



A Sindrome de Dor Patelo-femoral (SDPF) é comumente caracterizada por dor no compartimento anterior do joelho, afetando principalmente mulheres jovens com alguma mudança estrutural ou alterações degenerativas na cartilagem articular. A causa é multifatorial e estão envolvidas várias desordens funcionais.

Recentemente, Petersen et al., realizaram uma revisão sobre as evidências que fundamentam a SDPF. Neste artigo, eles descreveram os múltiplos fatores biomecânicos envolvidos e os tratamentos atuais.

Alguns estudos demonstraram que o mal alinhamento da patela é um fator a ser considerado. Draper et al. e Wilson et al. encontraram no grupo com SDPF maior desvio lateral da patela durante o agachamento.



Besier et al. mostraram que pacientes com SDPF tem maior co-contração do quadriceps e isquios tibiais, segundo eles, este mecanismo influencia no aumento de contato articular. Patil et al. mostrou através da eletromiografia (EMG) durante a contração isométrica máxima que os isquiostibiais laterais contraíam antes dos isquiostibiais mediais no grupo SDPF.

Pesquisas recentes tem relatado que o mal alinhamento funcional não começa na articulação do joelho e sim, na rotação interna do fêmur devido a fraqueza dos rotadores externos e abdutores de quadril (glúteo médio e mínimo). Padua et al. encontraram no grupo com a SDPF, diminuição de força do glúteo médio e máximo e aumento do valgo no joelho na aterrissagem do salto.

O estudo realizado por Souza et al., através da análise de RNM em mulheres com SDPF, encontraram excesso de rotações; no fêmur para medial e na patela para lateral.

O papel do ângulo Q como precursor da SDFP é discutido controversamente. Alguns autores registraram que o aumento do ângulo Q está associado a síndrome, no estudo de Rauh et al, corredores com o ângulo Q maior que 20 estavam mais propensos a desenvolver a lesão do que aqueles com ângulo fisiológico. Porém, Park et al. e outros estudos não encontraram correlação entre o aumento do ângulo Q e SDPF.

Todos estes estudos são suportados por uma revisão sistemática que demonstraram que mulheres com a SDPF tem diminuição da abdução, rotação externa e extensão no quadril.

A influência das desordens funcionais das biomecânicas dos pés foram relatadas na revisão sistemática publicada por Barton et al. Eles constataram que o aumento da eversão do retropé estava associado ao aumento de rotação interna da tíbia no grupo com a SDPF. Molsgaard et al. observaram aumento da dorsiflexão, maior desabamento e desvio do osso navicular em adolescentes com SDPF.



Tratamento

Estudos relatados nesta revisão suportam que o uso da técnica Tape e Brace contribui para o alinhamento da patela e redução da dor em SDPF, embora sejam estudos de curto prazo.

O uso de órtese também foi descrito como um tratamento efetivo para a diminuição de dor e melhora funcional do pé pronado na SDPF. Porém, segundo o estudo mais pesquisas deveriam ser realizadas com o intuito de entender melhor os benefícios ainda incertos.

A fisioterapia é a forma mais frequentemente estudada na SDPF. Heintjes et al. publicou uma revisão no Cochrane sobre exercícios para SDPF e registraram o efeito positivo na redução de dor. Como parte do resultado positivo foram descritos: exercícios de alongamento, agachamento, ergométricos, estáticos de quadriceps, elevação da perna, leg press, subir e descer escadas. Outros programas de exercícios também incluíram fortalecimento de abdutores de quadril. A frequência mais utilizada foram programas com duração de 6 semanas.

Os artigos relacionam Tape, Brace, Órtese para os pés como tratamentos efetivos para a diminuição de dor e melhora funcional das alterações causadas pela síndrome. Os programas de reabilitação que se utilizam de exercícios como alongamento para os isquiostibiais, fortalecimento dos flexores de quadril e abdutores também foram relatados como efetivos para o tratamento da dor.

Em suma, a SDPF é uma entidade clínica que causa dor na região anterior do joelho em pacientes com ou sem mudança patológica. O mal alinhamento da patela devido ao mal alinhamento funcional ou valgo dinâmico pode ser a principal causa. Também foi associado ao mal alinhamento o desequilíbrio de quadríceps, rigidez dos ísquios tibiais e trato iliotibial. O artigo sugere que sejam realizados estudos contendo programas de exercícios incluindo membros inferiores, quadril e tronco e mais estudos sobre os efeitos do braces e órtese de pé.

Embora descritos diversos fatores biomecânicos envolvidos na SDPF e os tratamentos existentes, fica uma questão para refletirmos. Será que o foco no tratamento deve ser o alinhamento da patela? Tratamentos segmentados podem ser eficientes nos diversos tipos de alterações funcionais que encontramos comumente nos consultórios?

Seria fundamental que futuras pesquisas pudessem correlacionar o estudo morfológico da coluna vertebral, coxofemorais, joelhos e pés com a qualidade do padrão gestual e o histórico de atividades esportivas de indivíduos com SDPF. Com o objetivo de obter uma visão mais interligada das causalidades.



Ft. Fabiana Alves Cabral e Ft. Maciel Murari





Mais matérias:



Para ler mais matérias sobre a dor, prevenção e sáude física,
acesse nosso perfil no Facebook
.