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Caracteristicas da cinemática lombo-pélvica de golfistas com limitação na rotação do quadril.



A limitação na mobilidade do quadril é um importante marcador de dor lombar em golfistas profissionais. Globalmente, a dor lombar ocorre em aproximadamente 55 milhões de golfista. Evidencias empíricas sugerem que a biomecânica na dor lombar é caracterizada por limitação na mobilidade do quadril associada ao desequilíbrio de força e flexibilidade muscular.

Estudos compararam a mobilidade do quadril de golfistas com e sem dor e, foi visto que os golfistas com dor apresentavam limitação na mobilidade do quadril para rotação interna do lado que conduz (ex. Lado esquerdo do quadril para mão direita no taco). Porém recentes evidências clínicas mostraram que a melhora da mobilidade para a rotação interna associada aos exercícios de estabilização lombar contribui para diminuir a dor e melhorar o desempenho do balanço no golfe.

Biomecanicamente, a limitação da mobilidade do quadril pode interferir na eficiência da transmissão de energia cinética da extremidade inferior para a cadeia cinética lombopélvica, com isso causar excesso de rotação na lombar durante o balanço. Em adição, a diminuição dos ângulos de rotação interna e extensão, podem limitar a mobilidade do quadril e gerar movimento compensatório excessivo na lombar.

No quadril, a força muscular extensora assimétrica tem sido associada com a dor lombar. O estudo de Nadler et al., demonstraram que a fraqueza assimétrica do abdutor aumenta a solicitação da musculatura lateral do tronco para melhorar a estabilidade da pelve.

A diminuição da força e flexibilidade dos músculos iliopsoas e isquiostibiais podem contribuir para a limitação da mobilidade dos movimentos do quadril e lombo-pélvicos. E desta forma, permitir movimentos compensatórios como lordose lombar excessiva ou cifose lombar nos pacientes com dor lombar.

Apesar destes achados, a natureza exata das características biomecânicas que suportam a relação existente entre a limitação de movimento do quadril e a dor lombar em golfistas permanecem desconhecidas. Por esse motivo, os autores neste estudo analisaram a influência da diminuição de rotação interna de quadril em jogadores de golf e verificaram a interferência desta diminuição na cinemática da pelve.

Participaram deste estudo 30 golfistas profissionais, divididos em dois grupos: grupo com dor e limitação da rotação interna e o grupo controle sem dor e limitação. Foram realizados testes de flexibilidade, força muscular e amplitude articular em todos os participantes e também a análise cinemática tridimensional dos movimentos do quadril, lombar e pelve durante a execução do gesto do golfe.

Foram encontrados no grupo com limitação para rotação interna: encurtamento dos isquiostibiais, aumento da mobilidade da pelve para flexão e desequilíbrio muscular maior nas rotações interna e externa do quadril. Na análise cinemática foram observados aumento dos movimentos de rotação e flexão na lombar ao passo que na pelve, menores a rotação interna e a oscilação anterior.

O aumento da rotação lombar foi associada ao desequilíbrio na força muscular dos rotadores internos e externos e diminuição da flexibilidade dos músculos iliopsoas e isquiostibiais. Segundo os autores, a rotação lombar excessiva pode alterar a coordenação dos movimentos lombo-pélvico e do quadril durante o movimento de balanço do golf, e assim, aumentar potencialmente o risco de lesões na lombar destes profissionais.

No final do movimento de balanço foi visto no grupo com dor e limitação, aumento de tensão no tronco contralateral para absorver a energia liberada durante o balanço para trás “downswing”.

O aumento da rotação da lombar e instabilidade devido a hipermobilidade podem enfraquecer as ligações cinéticas dentro do sistema da cadeia lombo-pélvico-quadril e assim, aumentar as cargas compressivas e cisalhantes nas articulações intervertebral resultando no surgimento de lombalgia mecânica associada a artropatia facetária e hérnia de disco.

Recentes evidências clínicas demonstraram que a dor lombar crônica foi significativamente eliminada depois do aumento da amplitude da rotação interna. Isto sugere que a diminuição do ângulo de movimento do quadril contribui para aumentar a rotação na lombar e causar lombalgia, portanto a flexibilidade do quadril é importante para o balanço no golf e também para prevenir lesões na lombar.

Também foi observado nos golfistas com limitação, que o movimento de flexão lombar e de inclinação lateral para a direita ocorrem para aumentar a extensão. O aumento da flexão lombar foi associada ao aumento de pressão discal e lombalgia. Muitas lesões deste tipo ocorrem durante o balanço para trás na fase de impacto.

O encurtamento dos isquiostibiais no lado direito influenciou na oscilação pélvica e no movimento da lombar. Os jogadores com a rotação interna limitada mostraram menor oscilação anterior da pelve durante o balanço posterior, possivelmente por causa do encurtamento dos isquiostibiais. Normalmente os isquiostibiais atuam como acelerador nesta fase, mas se estiverem encurtados, podem compensar a instabilidade pélvica através da oscilação anterior e resultar em redução da lordose lombar.

O formato de Avaliação realizada neste estudo, demonstra o quanto é imprescindível uma investigação minuciosa da morfologia e do padrão de movimento executado não apenas no gesto esportivo mas também nas tarefas do cotidiano. Avaliar todos os componentes envolvidos, testar a flexibilidade, força muscular, mobilidade articular e relacionar os dados colhidos com a avaliação funcional, possibilita um tratamento/treinamento que respeite as características individuais, isto é, o Perfil Biomecânico Funcional (PBF). Não acreditamos ser sustentável tratar um indivíduo com dor crônica considerando apenas o local da dor e a dor propriamente dita, porque muitas vezes a causa da dor não está no mesmo local em que ela é relatada pelo paciente. Como visto neste estudo, através da avaliação realizada de forma minuciosa foi possivel identificar os fatores causais relacionados a dor lombar destes esportistas. Por isso, avaliar o PBF é essencial, para que as causas da dor possam ser plenamente compreendidas e o tratamento conduzido na direção adequada, ou seja, na(s) causa(s) real(is) do(s) problema(s).



Ft. Fabiana Alves Cabral e Ft. Maciel Murari





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